terça-feira, 5 de julho de 2011

A lei do ciclo do nitrogênio

A natureza dita as regras com mãos de ferro. Sob seu olhar frio e sarcástico, somos todos ingredientes da receita.
O ciclo do nitrogênio re-cicla toda matéria viva e a devolve para a atmosfera. (De onde talvez, nunca devêssemos ter saído). Mas a natureza é um artista que não quer saber se cria belas ou feras, apenas os cria.
No ciclo referido, toda a matéria orgânica se transforma novamente em nitrogênio, um dos ingredientes primários.
Várias bactérias conspiram juntas nessa atividade, e cada uma delas é uma operária importante na re-produção de matéria prima.
O processo é complexo, mas acontece mais ou menos assim: O nitrogênio é transformado em pelo menos três outros compostos por bactérias, as plantas se nutrem de algum desses compostos e os que não são capturados por elas são transformados em nitrogênio novamente por outras bactérias. Ok. E nós? Onde ficamos?
Alimentamo-nos (direta ou indiretamente) de plantas. Somos parte da cadeia alimentar. Nunca me considerei no topo dela, mas sei que estou lá, em algum lugar. Portanto possuímos a mesma essência, por mais que esse se alimente de produtos light com embalagens super descoladas, e o outro se alimente de grama.
Outra coisa que compartilhamos é o fim. Cada membro da cadeia, do gafanhoto ao tigre, do mendigo ao deputado, tem sua vida interrompida em algum momento. Alguns antes da hora, alguns demoram demais. Mas não sou eu quem decide.
O importante é que, depois que morremos, outras bactérias se alimentam de nós. Não faz diferença a cor, a classe social, ou o time de futebol. Temos o mesmo sabor no reino monera.
E da digestão de nossos corpos, as bactérias produzem amônia, que será re-aproveitada pelas plantas, ou transformada novamente em nitrogênio, re-iniciando o processo.
No final das contas, a amônia é um ótimo adubo. E nós somos amônia em embalagens estilizadas: Adidas, puma, ou qualquer outra multinacional, não importa: somos adubo.
Ninguém escapa a regra, nem mesmo as bactérias operárias que fazem a máquina funcionar. São substituídas por outras, re-postas. As engrenagens não param. Mãos de ferro. Modelo Henry Ford de industrialismo. Pois é, copiamos a natureza. A diferença é que a natureza não cobra impostos.
Diante de tantos “Res” seria importante (re)-pensarmos: Vale mesmo a pena nos colocar em um lugar inalcançável e exclusivo, inflando-se de nós mesmos, quando sabemos (o) que é re-all?



Notinhas de rodapé:

Re-all : (All) – “tudo” em inglês; tudo re-ciclável, re-utilizável, re-feito. – re-all – re-tudo.

Um comentário:

Constante disse...

muito bom parabéns