segunda-feira, 6 de junho de 2011

 Traço de dança.

Às vezes as palavras me faltam.
Sinto a necessidade de me agarrar a cada peça de qualquer grafia representada em uma folha velha, um caderno de notas, ou um laptop.
 Galgar em cada letra de forma ascendente até chegar à frase. Uma frase plana (e plena) que estruture minhas ideias da maneira que previamente pensei. Cada peça da grafia se junta, num plano, resultando em uma frase perfeita qualquer. Toda frase é perfeita. (aqui também caberia uma exclamação ou uma interrogação.)

Questão de observação. Há muitas palavras e várias maneiras de se ler a mesma. Como um disco, um quadro, uma moda.
Às vezes me sinto confuso entre letras sortidas, e o que me vem à cabeça é a ideia de que cada letra se encaixa de maneira única e pré-programada – erro meu, as palavras se divertem.
Completam-se sem qualquer capricho do destino: apenas o fazem. Sem regras, ordens, signos.
Recarrego meu pente com palavras e disparo ideias e ideais. Viu? Já estão brincando.

Costumo pensar que os acentos policiam as palavras. São dogmáticos, seguem as regras, são politicamente corretos e inflexíveis. São? Creio que mesmo com essa personalidade forte, os acentos se permitem alguns momentos de lazer, mudando de lugares entre palavras e trocando seus sentidos, causando surpresa e sorrisos abafados entre o alfabeto. Ninguém é de ferro.
Experimentar novos sentidos, infinitos. Muitos não conheço, serão futuro. Experimentar outro sentido, mesmo sem (tê-lo) tido.
As letras dançam. Uma valsa movimentada e cadenciada. A cada par, a cada música, novas palavras, novos sentidos. Como um tango ou uma bossa.
Não me sinto um bom regente, conheço e leio vários, “regentes de letras”, que embalam as palavras de forma única. Mas para ser um regente de letras não é preciso formação, apenas sentimento.